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Foto do fundo: Auto-retrato - São Miguel do Oeste - SC by Alice Elaine

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Garrafa Vermelha

Naqueles anos era comum, bem comum até, principalmente lá na minha terra.

Ter uma garrafa térmica era, e ainda o é, um utensílio de cozinha muito utilizado, principalmente se for acompanhado pela cuia e bomba de chimarrão.

Pois é, nós tínhamos também, uma garrafa térmica Vermelha, daquelas bem modernas pra época. Ela não era de abrir com rosca e servir o chimarrão, mas era de apertar. Esta eu podia usar, não exigia muita técnica pra utilizar, era só por a cuia embaixo, na parte oposta ao barranco da erva e apertar bem no meio... Talvez uma vez bem longa, ou duas ou três mais rapidinhas...

E ela estava lá... em muitas ocasiões da nossa vida gaudéria (termo que gaúcho gosta de usar, dá mais valor pras tradições).

Tenho até o registro dela em ocasiões inusitadas, como no churrasco realizado na sala de estar de casa, sob o frio intenso da cidade de Bagé-RS. Saída estratégica pra quem não tinha uma churrasqueira coberta mas era sortudo em ter uma lareira... nada que uma lata de tinta vazia e alguns tijolos não resolvessem o problema com o espeto.


Ah, mas ela era companheira da cuia, não esqueçam disso, esta garrafa não podia ser enchida com nenhum outro líquido que não fosse a água quente, água do primeiro chiar da chaleira, não era água fervida (água assim estraga o mate).

Outra ocasião de respeito ao qual guardo o devido retrato, é de uma pescaria, lá pras bandas de Dom Pedrito-RS. Terra boa, com gente boa, pescaria boa, comida boa! Muito peixe, traíra, amigos queridos, churrasco de encher os olhos.

Alguém duvida da autenticidade deste relato? Confira...


Veja uma legítima cena gaúcha: churrasco, terceiro sargento do exército fazendo a segurança local, cachorro ao pé do prato (diga-se de passagem que era a MINHA cachorra, PEPITA), bacia vermelha pra lavar as mãos antes da refeição e... lá está ela... a bendita Garrafa Vermelha e seu companheiro, o mate.

Mas o tempo passou, a ampola quebrou, o plástico secou, a gaitinha do fole furou... tornou-se uma Garrafa Vermelha sem serventia e se perdeu nas muitas mudanças que fiz na vida. Mudança de casa, mudança de cidade, mudança de estado, ah, mudanças... de cabelo, de corpo, até de estado civil e nome!

Hoje eu tenho várias garrafas térmicas, brancas, floridas, azul, inox e com cores até difíceis de descrever... mas não tenho nenhuma vermelha...

Aquela foi a única!!!

4 comentários:

Manuela disse...

Que legal o seu blog! Vou acompanhar!!
Ai, a PEPITA!!E tenho várias fotos com ela, eu lembro mto dela, tinha medo quando ela abria a boca para bocejar!

grings disse...

tá na hora de comprar uma nova garrafa térmica vermelha ....

um barato esse post menina alice elaine

bj e abç

Everson disse...

Meu Deus, que saudade dos tempos de guri. Que saudade do Rio Grande!!!!!Não consigo me acostumar com essa Brasília poeirenta, sem identidade, seca...e sem nenhuma personalidade...

Everson disse...

Ai que saudade do Rio Grande e dos meus tempos de guri!!!!!!

Te amo minha maninha querida!

Onde estão?