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Foto do fundo: Auto-retrato - São Miguel do Oeste - SC by Alice Elaine

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Era uma vez...

Cabelos encaracolados by Alice


Era uma vez uma linda menina de cabelos encaracolados e pele dourada. Uma gata borralheira que vivia em um castelo de cartas e debaixo dos desmandos de uma Rainha de Copas. Era doce e bela, tão bela e doce quanto suas outras irmãs. Seu pai se fora, havia sido o Senhor de um Reino distante, porém o tempo breve em que esteve junto a ela gravou em seu coração a coroa de sua majestade. Porém, este não é um conto de fadas, ou uma história contada para iludir crianças e adultos de que a vida é fácil ou que sempre a mocinha ou a princesinha terá um final feliz. É uma história real!
A linda menina era mesmo muito linda, tão linda por fora como era em seu íntimo. Fazia planos para ser feliz, ter uma carreira, uma família, um futuro. Porém, logo cedo, na sua história ela sofreu a perda do pai, machucou-se feio nos esportes, feriu profundamente seu coração. Cresceu com os sentimentos feridos, com a fé abalada, com as chances de sucesso reduzidas por quem deveria ter lhe dado força e confiança. Por muito tempo não acreditou em si mesma.
A menina tornou-se mãe, mulher e avó. Chorou por não saber o que fazer com as responsabilidades que lhe atropelavam sem piedade. Quantas vezes não consegui ver uma saída e com sua alma derrotada desejou e tentou conversar com a morte. Mas, de alguma maneira ela vencia sua dor. Doía-lhe a mente, o estômago, a perna. Tentou e tentou. Lutou por uma chance, um lugar ao sol! Estudou, trabalhou, batalhou por seus sonhos, mas a dureza da existência sempre parecia mais forte que ela.
Nem só de tempestades se fazem as estações, e então o sol parece que enfim surge em seu horizonte. Ela conhece àquele que junta e cola seus cacos, o Príncipe que a compreende e escuta, que a defende e lhe dá o apoio, uma vida tão segura quanto ela sempre desejou usufruir. Ele foi a recompensa de tantas pelejas, e agora este amor era dela. Ele não lhe negava carinho, nem afeto, nem atenção. Ele a mimava como uma gatinha de colo. Vestia-lhe de flores e sapatos de cristal. A voz dele era o refúgio, seus olhos o mar no qual ela sempre quis navegar, e seu abraço era o seu lar. Podia usufruir de uma família linda. Suas filhas eram, entre tantas, as mais belas. Todos que a amavam estavam felizes com a felicidade dela. Ela estava radiante como uma cinderela...
Infelizmente a realidade não é um carrossel de cavalinhos mansos, assemelha-se mais a uma montanha russa antiga e rangente e neste ínterim os carrinhos descarrilam, as vezes... A moeda jogada ao alto muda a face e do dia para a noite as coisas se transformam. O milagre se reverte e o que era vinho torna-se água. Seus dias de Princesa Encantada e Liberta se findam. Uma moléstia assola a saúde de seu valente e sedutor amante fazendo com que ela volte a lembrar-se da lutadora que sempre foi. Ela se torna as pernas dele, embora nem a ela mesma lhe sejam firmes. Ela se transforma em fortaleza para ele, seu arrimo e sua presença é de extrema importância para a tranquilidade dele. Como se não bastasse a preocupação com ele a menina de seus olhos é também ameaçada. Um coração tão frágil quanto um suspiro. A dor é quase que insuportável e lateja sem parar. Ela sente o peso da vida outra vez sobre seus ombros e quadril.

Hoje, esta maravilhosa mulher de cabelos enrolados e pele dourada sabe que, por algum tempo ainda, precisa suportar a carga e pressão das responsabilidades que os ventos do tempo e imprevisto lhe trouxeram e ela aceita sua história com lágrimas e sorrisos, ainda tem bom humor. Ela vê em cada superação dele, seu amado, um motivo para comemorar, no entanto, eu sei que quando chega à noite, ela chora, que não dorme tranquilamente sentindo dores e que ela suspira vendo o sofrimento de seu amado, sei que ela pede à Deus que as coisas mudem outra vez e que ela aguente o repuxo do que está por vir. Porém, também sei que ela tem esperança, que ela tem amigos, tem irmãos, que ela sabe que é forte e que eu a amo!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Minha Amiga inesquecível!


Amigas by Maico


Para alguns é algo simples, para outros algo mais complicado!
Talvez nem todos, mas a maioria tens amigos do qual se orgulham, admiram, amamos e nos apegamos.
E quem nunca teve uma amizade do qual se arrependeu? E quando viu já era tarde demais.
Mas eu tenho uma amizade da qual eu me orgulho, uma amizade da qual e única, da qual eu tenho muito carinho e posso dizer com todas as letras que eu AMO esta amizade!
Da qual eu sei que nunca vou me arrepender de cada palavra, de cada segundo gasto, de cada momento vivido e de cada preocupação sentida e de cada tempo gasto. E você sabe o por quê?
Porque não há comparação a uma amizade como está, porque ela e real! Nesta amizade bela não há nenhum jogo envolvido, apenas a sinceridade, não há quem não se valorize nessa amizade pois nela só existe a verdade.
Eu nunca pensei que me envolveria tanto em uma amizade tão grande como esta e mesmo como alguns anos de diferença, para nós não importa, pois essa diferença e insignificante para nós.
Há muito amor envolvido. E como há! Essa amizade não tem hora, nem tempo ruim. E só de saber que você pode ter uma pérola preciosa assim o seu coração fica feliz!!
E uma perola rara um grande tesouro. Que por mais que ajam infinitas palavras elas são insuficientes e incapazes de explicar essa amizade de tão grande e infinita que ela é.
E algo tão importante e lindo, mas apenas aos nosso olhos e há aqueles que tem bons olhos.
E uma amizade que te conforta por saber que tudo o que você faz... Nunca, mas nunca será vista com maus olhos ou como uma indireta.
Eu só posso é erguer as mãos para o céu e agradecer por ter uma amizade como esta em minha vida.
Alguém que você sabe que é recíproca e o que e muito raro hoje em dia.
Alguém que sabe que te entende. Que enxerga todos os teus defeitos, mas que mesmo assim fica do teu lado. Alguém que sabe o que você está pensando só pelo teu olhar... Aquele olhar sincero... Alguém que sabe que você está de bem com a vida e se sente confortável só pelo teu sorriso. Esse alguém e muito raro e insubstituível. Confesso que ela não tem muita delicadeza e é isso que a torna mais interessante.
Aquela pessoa que você não precisa se explicar e muito menos avisar quando está chegando para visitar, afinal você já se sente em casa. E acredite quando ela fala que ama e porque ela ama mesmo pois ela não diz isso para qualquer pessoa!
Ela e tão inteligente e eu reconheço muito mais inteligente que essa pessoa que está escrevendo isso. Ela e intelectual e tem um coração maravilhoso. E ela não sabe como eu fico feliz em sentar e ouvir ela cantar e tomar aquele vinho que ela tanto gosta... Ahhh, e você não imagina como ela cozinha bem.. Muito melhor que muitos chefs de cozinha!
Ela sempre está ali quando eu preciso e não importa a hora, o lugar, ou se são longas e longas conversar até altas horas pelo Messenger, ou pelo facebook, ou pelo whatsapp não importa pois é algo mútuo.
O que me deixa fascinada e o que torna mais interessante e que nos amamos como somos, sem esperar que uma mude pela outra, mesmo com nossos defeitos e nossas qualidades, do jeitinho que ambas são. E nunca, jamais esperamos que uma aja ou pense ou sinta como a outra pois somos muito diferentes, mas é toda essa diferença que nos une e faz com que tenhamos esta amizade como irmãs, mãe e filha e nos defendemos, e sim nos orgulhamos e essa amizade, não é qualquer coisa que abala. Pois eu sei que seus conselhos sempre serão para o meu melhor e vice e versa.
Oque eu mais quero e poder r que essa amizade seja eterna. E eu sei que isso e possível sei que esta amizade será eterna e ai eu te digo, minha amiga, que anseio esse dia pois aí, ninguém nos segura!

Jéssica Fumagali – 10.10.2016
Oque achou?
Espero que tenha gostado
Pois esta fiz pensando em ti
Te amo muito
Minha amiga
Minha mãe

Minha irmã

terça-feira, 31 de maio de 2016

A Chegada...

Capão do Leão by Alice


Desembarcou do ônibus sentindo a tontura dos viajantes. Horas de balanço constante, acelera e freia, sobe e desce, motor que ronca numa constante e gente que por vezes grita e sussurra. O calor e o frio se misturam dentro do espaço acondicionado sem ar. Cheiros e aromas peculiares o rodearam por tanto tempo que nem sabe mais qual é o seu odor próprio. As luzes das cidades, por vezes brancas e amarelas fundem-se com o neon das placas e outdoors, ele viu todas as modernidades de um letreiro animado com alguns leds queimados. Sentiu fome e enjoo, dormiu e acordou, babou, tossiu, soluçou e até roncou.
Quando toca o tênis surrado e sujo no solo, após descer o último degrau do carro, ainda com a mão nos óculos escuros e tentando aclimatar-se, ele pensa no que deve fazer. Olhando em volta, mas sem poder ver com nitidez,  como uma cena sonurna, aproxima-se do bagageiro e entregando seu ticket resgata toda sua história dos porões do coletivo. Pisa em uma poça de água negra, mais óleo do que água, sujando ainda mais os cadarços longos do All Star outrora azul. Cobras e lagartos escoam em sua mente, enquanto a boca apenas murmura sons indecifráveis.
Tudo bem! Agora, já munido de tudo que é seu, o estômago e a bexiga chamam a atenção com insistência e urgência, mas, dentro da carteira de couro carcomida pelo tempo e o roçar do bolso traseiro da calça indica um grande problema. Um sanduíche de mortadela prensado ou um banheiro limpo? O sanduíche e um fechar de olhos no banheirinho da lanchonete, foi a sábia escolha. As cobras e lagartos transformam-se em crocodilos e dragões ao perceber o rolo de papel zerado. Sai do estabelecimento usando seus calçados sem as meias, afinal...
Com parte de suas energias renovadas e uma certa medida de satisfação estampada no rosto ele arrisca uma caminhada pelas ruas da nova cidade. Lojas, pessoas, bueiros e carros, tudo exatamente igual ao que ele já havia visto em todas as outras. Tudo estava lá, os cães, os táxis, as promoções e os ambulante, até mesmo os vendedores de perdão e os pedintes de compaixão. Nada mudou, talvez as cores e o tamanho das formas. O Sol é o mesmo e sua sombra continua igual.
Porém, existe algo que ele anseia e necessita, e isto está bem ali diante de si. Inspira profundamente o ar puro da cidadezinha de interior e mantém a sua própria resolução. Ele decidiu procurar a felicidade e não permitir mais que as barreiras o impeça de encontrar o que tanto persegue. Hoje ele está convicto de que pode superar qualquer coisa e quer fazer sua vida dar certo. Percebeu que depende de quem ele é ou quer ser para atingir seus objetivos.  Como ele ouviu e viu tantas vezes nas frases de agendas infantil e femininas o que importa é SER FELIZ.
Então, ele sente o calor de uma aproximação familiar, seus olhos são cobertos por mãos delicadas e macias, o perfume envolvente e sedutor tomam de assalto seus pensamentos e todo seu corpo arrepia. Sua boca sorri junto com sua alma, o coração dispara em êxtase. Desprende-se de sua mochila e prepara seu universo inteiro para abraçar a sua felicidade e aconchegar-se em seus cabelos. Levanta os óculos e focaliza a única coisa que desejava ver há muito tempo.

Ele encontrou o seu caminho, seu lar e agora seguirá junto a ele, lado a lado. Não precisará mais andar sacolejando pelas estradas solitárias. A viagem será sempre agradável apesar dos problemas, porque agora ele encontrou dentro de si o seu amor.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Uma Tarde Triste

A copa mais alta by Alice


O ruído agressivo e violento ecoa pela tarde como o prenúncio da morte eminente. É um dia cinza e nublado, como se fizesse o pano de fundo para o que estava prestes a acontecer. A indefesa e exultante árvore não imagina o seu destino, nem por um segundo defende-se ou tem a possibilidade de fugir. Espera passiva pelo ataque da monstruosa arma letal.

Um a um os galhos vão caindo, vão sendo desmembrados da mangueira imponente. Belíssima, esta árvore manteve o frescor do verão próximo às minhas janelas e à minha porta. Deu guarida aos ninhos das pombas e foi poleiro, dos mais altos, para o cantar orgulhoso do Bem-te-vi. Ouve-se ao chão o som oco da queda. Não há pássaros em volta, apenas a motosserra ruge seu bramido ardente e faminto. A natureza faz o silêncio do luto.

O verde derrubado das alturas agora aguarda no solo a sua completa ruína. Não há mais o que tremular ao vento, não há mais flores ou frutos. Foi-se a alegria das crianças, a diversão dos felinos, o abrigo dos pássaros e a beleza para a vista. O desejo de alguns traz a morte e a tristeza para outros. A mais alta e imponente de todas a sua volta foi destroçada, é o mau-agouro para as que ainda persistem...

É o fim. Acabou-se a ilusão e a esperança de que os algozes pudessem mudar de ideia. O carrasco implacável leva a cabo seu objetivo. Finda-se então uma história repleta de vida e abundância. Hoje escrevo com pesar o obituário de uma das minhas mais amáveis vizinhas.

É com grande pesar e angústia no coração que comunico que no décimo sexto dia do mês de maio do ano de dois mil e dezesseis, em torno das quinze horas, executou-se a sentença de morte imposta a Grande Mangueira, que habitou o meio de um terreno de cerca de trezentos metros quadrados, por cerca de vinte anos. Desceu de seus dez metros ao chão à força, mas sem luta e deixou para os que a conheceram e a viram crescer as boas lembranças dos amigos reunidos à sua sombra. Restou aos que a amavam o pranto e a dor da inestimável perda.

Toco da Mangueira by Alice



terça-feira, 5 de abril de 2016

O Papel e o Lápis

Cavalo - Grafite by Alice



Uma folha em branco para mim é como um convite para criar e explorar um novo universo! Um lápis de grafite macio é o meu instrumento de construção de uma obra emocional e utópica. É quase impossível descrever o sentimento gerado por apenas estes dois itens diante dos meus olhos, no alcance da minha mão. O papel é representação das possibilidades infinitas. O lápis é a matéria-prima a ser moldada. O desenho é a expressão consumada dos pensamentos profundos, dos esforços e da alma.

Não importa que meus traços sejam infantis, ou toscos, que o tema seja lírico, abstrato ou mesmo natural. Não importa que signifique algo para quem olha e não vê, e também pouco importa que toda a obra seja apenas um ponto. Sou eu naquele papel, são os meus instintos e o peso da minha mão.

Aos poucos os esboços ganham contornos mais definidos. Passam-se os segundos, os minutos e as horas, em alguns, também se passam os dias, os meses e talvez os anos. Na mente, o desenho é dinâmico e mutante. O que antes era apenas um horizonte distante agora é um campo coberto por gramíneas e cravejado de árvores, ao longe nota-se o velho casebre e a criação animal. Aos poucos a vida vai brotando da ponta do grafite.

O papel vai ganhando cores imaginárias, mesmo com o matiz de chumbo. O vento balança as folhas e os cabelos e sopra o nosso rosto. O som dos pássaros e dos cascos dos cavalos se fazem presente. O cheiro da fumaça que corta o céu, saindo da pequena chaminé, fica impregnado no ar. A estradinha de terra faz o convite para se andar descalço e caminhar até o fim da última curva. As águas cristalinas serpenteiam os vales e refrescam nossos pensamentos com a sua brisa.

A relação entre a obra e o lápis é inversamente proporcional. A medida que os retratos, paisagens ou os subconscientes tomam forma e se definem, o grafite se desfaz na ponta do lápis, aos poucos o corpo longilíneo torna-se mais franzino e pequeno. O lápis e o papel vão tornando-se um, igual a um processo químico, são elementos distintos que ao serem combinados resultam numa mistura perfeita.

Quando seu coração estiver cheio, seja de amor, carinho, amizade ou mesmo, sobrecarregado com a tristeza, o rancor ou o ódio, se a sua mente estiver deprimida e desesperada, experimente a terapia do papel e do lápis. O resultado será surpreendente, para você e para quem entender as suas emoções.

Eu amo me imprimir em um desenho!!!

terça-feira, 15 de março de 2016

Personalidade Dupla ou Sinceridade Velada


Eu sei que você não quer ser chamado de hipócrita ou duas caras, mas... pense no seguinte diálogo no mundo virtual com um dos seus melhores amigos, com uma tradução instantânea dos verdadeiros, ou quase verdadeiros pensamentos...

- Oi. (Cumprimento trivial de quem quer verificar se a outra pessoa está afim de teclar)
- Oi. (Respondeu... que bom, ele quer falar mais que um oi...)

- Me dá um feed do que tu achava de mim quando criança... (Pergunta que não se faz se tu não quiser saber realmente o porquê, se a pessoa for sincera tu corre o risco de ficar extremamente magoada e perder uma amizade verdadeira. O que não é meu caso.)
- Tu sabe... (Resposta evasiva de quem está com medo de responder e perder o amigo.)

- Ah, fala aí, quero comparar com o que os adultos pensavam de mim, tu tinha 16, 17 e era meu amigo... (Argumentação proposta para convencer o amigo para ele poder falar sem medo. Apesar de eu ter medo que a resposta realmente corrobore com o que alguns adultos pensavam de mim quando eu tinha 9, 10 anos de idade.)
- Eu já te falei. (Mais uma evasiva.)

-... (Silêncio para forçar uma resposta)
- Guria inteligente. (Opa! Um elogio!)

- ... (mais, por favor...)
- Falante (Uma verdade!)

- ... (mais um pouco...)
- Divertida. (hehehhe. Legal, estou gostando...)

- Metida (Opa! Outra verdade!)
- ... (Comecei a pensar nas verdades...)

- E com senso de humor. (O “E” finaliza o pensamento. Está muito bom!)
- Hehhehehe. Eu gostei da sinceridade... o Metida, foi sincero... pode ser mais... INTROMETIDA! (É o que penso e acrescento.)

- Também... (Sinceridade plena!)
- Eu quero os meus contras... de verdade... as pessoas não contam. Quero uma visão tua, que és meu amigo...  (E estou sendo sincera, também.)

- Já falei. Eu gostava de ti. Isso basta! (O ponto final, e enfático.)

Para mim, acabou a conversa. O assunto chega ao fim. Eu sou quem sempre fui e agradei quem queria minha amizade e me aceitava como eu era. E vou continuar agradando quem eu quero bem e quem me ature!!!

No fim das contas, nossos amigos sabem o que sentimos e pensamos, sem que precisemos expressar com todas as nossas palavras ou ações. Muitas vezes reagimos e nos comportamos como pessoas comuns e damos respostas as quais não condizem com o que sentimos, mas, somos assim... somos poços profundos, águas paradas... não somos hipócritas, não fingimos sentimentos e não simulamos o que não somos, pois, quem nos conhece sabe exatamente o que estamos dizendo de forma diferente do normal...

Somos todos fortes, poderosos e felizes... sqn...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Um Tesouro

1 maio by Alice


Crônica do dia 08.01.2016 no site de Claudemir Pereira

Eu possuo muitos tesouros na minha vida. Tesouros físicos, emocionais, espirituais e imaginários. Tudo que me é valioso faz parte do meu tesouro pessoal e intransferível. As lembranças mais queridas estão guardadas no baú da memória com muito carinho e cuidado. Meu ursinho da infância, mesmo sem metade dos seus olhos de plástico e carregando um buraco na barriga de tecido, está guardado junto às cartas do meu tempo de namoro. Meu primeiro brinco de ouro e pérola está devidamente acondicionado na caixinha de joias. Meus textos bíblicos preferidos, sei recitar de cor e estão dentro do coração.
Quando paro para pensar em como sou rica com tudo que eu acumulei durante minha vida, quantas histórias e experiências, não posso deixar de polir e limpar meus tesouros. Gosto de manter minhas riquezas sempre valiosas, brilhantes e belas.
Dentre muitas destas, estão as minhas amizades. E dentre todas elas, algumas se destacam devido seu especial brilho e valor. Quando temos alguma aspiração na vida, um desejo de aprender ou pôr em prática alguma habilidade específica, mas necessitamos de algum recurso humano disponível para nos ajudar é neste momento que descobrimos algumas boas amizades. São pessoas que realmente se doam para que nós tenhamos o nosso aprendizado completo e progressivo. Foi assim que aconteceu pra mim. Ganhei uma amiga verdadeira e preciosa, qual joia rara e bela, de um valor inestimável.
Desde que ganhei minha primeira máquina fotográfica semiprofissional eu queria aprofundar-me nesta arte magnífica de congelar a história, capturar num instante todo o contexto de um acontecimento. Eu queria poder fazer poesia com luz e cores, dividir meu olhar e meu pensamento por meio da fotografia.
Fiz da chuva e do sol meus modelos fotográficos. Persegui os pássaros e gatos na busca da foto perfeita. Caminhei pelas manhãs frias de geada para poder encontrar as rosas cobertas de gelo e os bueiros fumegantes. Subi colinas, desci ribanceiras, andei mato à dentro, pisei nas pedras, equilibrei-me à beira de precipícios e sujei a roupa deitando no chão, tudo por um ângulo que transmitisse o significado certo. Mas, então, surgiu o desafio da captura da essência humana. Como aplicar no retrato estático a personalidade, a vida e a alma de uma pessoa? Isto envolve tempo, disponibilidade, entrega, planejamento e muito humor para enfrentar as sessões de sorriso, o calor, as trocas de roupa, de ambiente e de clima.
Eu ganhei meu diamante lapidado com a modelo perfeita para minhas lições. Ela tinha todas as qualidades que eu poderia querer para colocar em prática o que eu havia estudado. Ela era simpática, prestativa, vaidosa, disposta a posar e a ficar horas obedecendo às mais absurdas propostas de fotos que eu poderia propor. Ela andou nas pedras, entrou em rios, tirou sapatos, subiu em árvores, escalou alturas, olhou pro sol, andou à cavalo, riu, correu, pulou, deitou na grama, balançou-se ao vento, andou quilômetros, embrenhou-se no mato, embaraçou o cabelo, tirou e colocou roupas, chapéu, óculos e maquiagem, tudo para que eu pudesse exercitar e aprender.
Um verdadeiro tesouro de amizade, compartilhamento de tempo e de nossas famílias que com o tempo tornavam-se mais próximas, mais dependente desta troca de carinho. No fim, as fotos tornaram-se naturais, espontâneas e até corriqueiras. Comecei registrando, em nossas primeiras fotos, os seus 18 anos de juventude, depois com o passar do tempo a sua história, seu namoro, seu noivado, nossas festas, seu casamento, sua despedida da cidade...
Em uma das nossas últimas sessões de foto, registrei nossa viagem, com nossas famílias, pelo Rio Grande do Sul e voltamos cada uma aos nossos lares felizes e mesmo com a distância que nos separam entre cidades diferentes e até mesmo estados diferentes não há distância entre nossos corações, somos amigas, somos irmãs, mãe e filha, somos unha e carne! Ela é um tesouro para mim, guardarei eternamente junto aos meus tesouros, guardarei na mente, no coração e nos registros digitais, que são muitos!!!

E você, tem um tesouro assim?

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Cuidando da casa...

Fechadura by Alice
Crônica publicada em 25.12.2015 no site de Claudemir Pereira. http://zip.net/bmsBvx 

Quem nunca cuidou da casa de outros durante algum período? Cuidou com amor e muito zelo porque conhecia bem o dono, ou foi pago pra ser caseiro durante o veraneio de férias?...
Eis que me encontro às portas da casinha da chácara. Diante de um molho de chaves com inúmeras possibilidades. Uso a chave pequena ou a dourada? Quem sabe a chave comprida, ou seria a prateada com o plástico?
Vou tentando chave por chave do imenso molho e nada... já ouço o miar desesperado da gata que ficou presa dentro de casa, pedindo com urgência para sair de seu enclausuramento acidental.
Ele, o dono da casa, me disse algo antes de me passar as chaves... me deu algumas instruções... Ai, esta memória de paciente com Alzheimer que me aflige desde criança, o que era mesmo???
- Pegar a correspondência.
- Alimentar os gatos com ração nova e colocar a ração velha fora! Estes bichos são tão nojentos quanto o dono.
- Limpar possíveis 'presentes' felinos.
- Dar água às plantas. Pobres... são os únicos seres vivos, mudos, que ele ama, eu acho... se bem que quando venta e chove elas produzem música.
- Colocar veneno nas frestas das janelas. Ai de mim se quando ele voltar encontrar mosquito zunindo na orelha.
- Não tocar nos tesouros (discos de vinil), muito menos, tocar no diamante (agulha do toca-discos).
Bom... ele sabe que eu sou desastrada... alguém contou, ou ele sabe...
E a lista continua...
- Verificar se os cupins continuam a alimentarem-se do batente da porta e tentar borrifar o veneno mais potente que tiver no mercado... aproveitando a sua ausência na moradia.
- Deixar o rádio na estação favorita, mesmo que eu queira mudar eventualmente... voltar a estação que a casa e o dono estão habituados a ouvir.
- Lavar os pratinhos dos bichanos, que criam limo com o tempo... e me certificar que a água esteja limpa e sem larvas de mosquitos.
- Recolher as frutas do pátio para mim, se eu quiser. Bom... acho que aproveito o limão, para uma caipirinha... mas, nem é época...
E a chave??? Qual era a chave que abria esta porta??? Ele não me disse...
Das dezenas de chaves que segurava uma era a correta, mas eu teria que descobrir por tentativa e erro. Talvez fosse a lição que ele quisesse me deixar...
Pode ser que ele quisesse que eu me sentisse ansiosa diante da oportunidade de abrir uma nova porta em minha vida, que eu descobrisse como entrar em uma nova jornada de aventuras desconhecidas.
Quem sabe ele esperasse que eu desse um sorriso ou que proferisse o palavrão da raiva e de ira diante do obstáculo e do tempo perdido. Ou, ainda, que ele estivesse me testando para ver o quanto conhecia sua rotina e seu modo de vida... assim, deduziria pela aparência, a chave certa!!!
Volto a atenção para o molho novamente e escolho a chave gasta... aquela que estava meio tortinha das noites de farra, a mais lustrosa do uso e a de aparência mais rústica...
O miolo gira, faz-se um click!!!
O gato já está em agonia, dentro da casa e eu em desespero fora dela.
Com a mão na maçaneta aplico o último golpe para adentrar naquele novo universo e...
Ahhhhhhhhhh...
Ele travou o ferrolho...

Acabei de lembrar a última instrução. A entrada não era por esta porta, era pela porta da frente!


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Casa Vazia...

Casa vazia...  de algum lugar na net



Sempre fui estranha... sempre me considerei diferente e estranha.
Estranha porque nós temos padrões de comparações com outros. No geral, as pessoas gostam de decoração, móveis, eletrodomésticos e coisas, muitas coisas...
Eu sou estranha porque eu gosto dos espaços vazios, gosto do nada, da folha em branco, da roupa no cabide, do copo lavado... da casa vazia...
Gosto da possibilidade de poder preencher com o que eu quiser.
Gosto do eco dos sons nas paredes pintadas.
Gosto dos corredores que levam ao desconhecido do próximo cômodo vazio.
Gosto de ver as tomadas de energia elétrica livres.
Gosto da sensação de liberdade e conforto que o nada tem.
Sou estranha porque vejo um cano sem chuveiro e mesmo assim giro o registro e sinto o respingar da água gelada e densa.
Gosto!
Abro as janelas sem cortinas e gosto de ver um horizonte habitado
Voltar minha atenção ao ambiente e notar que tudo está cheio de possibilidades minhas...
Eu gosto de descobrir a vizinhança disposta a conversar e saber das novidades...
A voz ecoa pelos cômodos, a casa tem som de casa vazia...
Gosto de abrir as portas...
Gosto de apertar o interruptor da luz...
Gosto de tocar a campainha... béééééézzzz, ou dim-dom?
Garagem sem carro e escura... medo...
Gramado, acimentado ou sacada... lazer limitado.
Quando todos se vão, gosto de deitar no chão solitário e olhar pro teto...
Gosto da correria desenfreada na qual se testa o tamanho da casa.
Gosto da discussão pelos quartos, locais das camas...
Já imagino o sol da manhã e o da tardinha. O calor do dia...
Eu gosto da casa vazia e das possibilidades.
Eu gosto da casa vazia e do novo amanhã.
Eu gosto da casa vazia...
Casa vazia... minha infância...
Ah... como é bom estranhar uma casa vazia!

Onde estão?